terça-feira, 27 de novembro de 2007

Lupe - A arte e expressão em forma de quadrinhos







A quadrinista e ilustradora Luciana Vasconcelos, mais conhecida como Lupe, tem 25 anos e apesar da timidez vê nos quadrinhos uma forma para se expressar. Em entrevista aos alunos de jornalismo do 8ª período da Faculdade Alfa, a quadrinista nos contou um pouco sobre a carreira, as decepções, as dificuldades do mercado goiano e nacional e os projetos para alguém que tem muito ainda que ilustrar e mostrar. Ela é formada em design gráfico na UFG desde 2004 e trabalhou por dois anos no DM com ilustrações para o DM Revista e o suplemento infantil do jornal.

Segundo ela, como a maioria das pessoas que trabalha com desenho ela começou muito pequena. “A minha avó até hoje guarda alguns desenhos meus em cadernos de receita dela, eu fazia desenhos na parede em cadernos da escola em vez de estudar eu fazia desenho no lugar das tarefas”. A dedicação e a feeling para a coisa apontava para algo que de fato queria fazer para a vida toda.

Aos 12 anos ela descobriu uma revista do Angelí, A morte da Rê-Bordosa. Além das revistas da Marvel Comis que já ela lia como X-Man e Volverine. Ela começou a desenhar quadrinhos com pessoas que conhecia e situações. “Então comecei a desenhar mais sistematicamente. Eu descobri o Laerte e com 16 anos já estava fazendo Fanzine no segundo grau, um deles era chamado de Monstros de Marte”.

Lupi se lembra do seu primeiro trabalho profissional, um desenho do Campus da Universidade Católica de Goiás, uma vista para área do local em aquarela. Segundo ela, mesmo na faculdade ainda não sabia direito o que iria fazer. Foi então que percebeu que a maioria dos quadrinistas também eram ilustradores, e querendo ou não uma coisa tinha a ver com a outra.



A quadrinista sabe até onde põe os pés e que se deve dar um passo de cada vez. “Tenho que ser realista, não se vive só de quadrinhos, você tem que fazer outras coisas, seja ilustração, animação ou ter outro emprego público”. De acordo com ela, uma dica para quem quer entrar nesta área tem que ter gosto, por que não dá dinheiro.

O cotidiano e o dia-a-dia é uma das maiores inspirações para Lupe. Seu trabalho chega a ser quase que autobiográfico. Ela consegue transcender as coisas ruins em boas tiradas e histórias cômicas. Entre os personagens ela tem uns personagens que existe desde os primeiros fanzines que ela fez. “São três amigas que eu chamo de Li, Ana e Cacá que é como uma piadinha interna minha e de minhas amigas. Mas com o tempo eu vi que começou a ficar pesado colocar as coisas que aconteciam com nome e tal. Aí eu criei as personagens e até hoje eu as faço”. Entre os temas tratados ela tem uma tendência, falar de temática rock e o comportamento em geral.

Para Lupi a ferramenta internet assumiu um papel importante na divulgação, circulação e realização de novos trabalhos. “Agora que eu estou começando a ter contato, através da internet, com pessoas e trabalhos de fora. Tem uma revista Israelense, que vai ser publicada em janeiro, chama-se Sorno Mag em que eu fiz um trabalho para essa revista”. Entre outros trabalhos que ela destaca está o que ela fez para a revista Kino, uma revista em formato pdf, on-line sobre ilustração e cinema e um trabalho que ela fez para a revista de design, Ilustre, da UFG. Além também já fez trabalhos importantes como participações de revistas em quadrinhos de consagração nacional no gênero. Entre elas da UnderGrude, Tarja-preta, Banda Grossa.


Quanto ao mercado de trabalho, ela não tem essa pretensão de viver só de quadrinhos porque segundo ela, o mercado brasileiro é péssimo, o que sobrevive hoje é só o quadrinho de humor. “As editoras não querem publicar quadrinho as poucas que são quase heróis em publicar não passam das primeiras edições”.

Hoje parte do seu sustento é a ilustração. Segundo ela, não é algo que lhe dê rentabilidade até porque está iniciando a pouco tempo, desde que saiu do Diário da Manhã há cerca de 6 meses, na área de free-lancer. Mesmo não sendo muito otimista Lupe se diz dedicada no assunto. “Para mim ainda vale a pena porque não consigo fazer outra coisa”.

Entre os projetos futuros, Lupe está preparando um portifólio para divulgar seu trabalho e há possibilidade de disponibilizá-lo no seu site (www.lupevision.com) para quem quiser comprar. Ela está voltando aos quadrinhos em um projeto a ser desenvolvido com outra quadrinista e ilustradora de Porto Alegre-RS, Mauri, para a realização de uma Fanzine. Lupe também é cotada para o segundo número da revista Banda Grossa que já esta negociando para fazer isso. Outra revista que deve ser estampada pelos seus quadrinhos está Grande Comic de Goiânia que vai ter uma história dela. Lupe também pretende lançar uma revista de autoria própria, mas ainda falta arranjar patrocínio.

Texto: Victor Fleury

Fotos: Murillo Rodrigues